terça-feira, 7 de agosto de 2012

Atividades de revisão - Realismo/ Naturalismo

01 - (MACK SP)   
Assinale a afirmativa correta sobre Eça de Queirós.
a)    Fiel aos pressupostos da escola naturalista, adotou postura doutrinária ao dissertar sobre a degeneração do clero, resultante do acelerado progresso industrial das cidades portuguesas.
b)   Lançou um olhar crítico sobre a sociedade de seu tempo, procurando analisar e registrar, através do romance realista, as contradições de um mundo em transformação.
c)    Em pleno apogeu do capitalismo, defendeu a tese de que os princípios religiosos eram a única forma de salvaguardar a sociedade de valores excessivamente materialistas.
d)   Nacionalista convicto, acreditava que a literatura romântica era instrumento legítimo e eficaz para enaltecer e preservar os valores da tradição portuguesa.
e)    Serviu-se da ficção para tecer comentários irônicos às classes baixas, responsáveis, segundo ele, pelo marasmo em que se encontrava Portugal no século XIX.

02 - (UFMT)   
Eça de Queiroz, seguindo a estética realista, faz uma pesada crítica à sociedade da época, não poupando a família, os políticos e nem mesmo a Igreja. Mas a sua 1ª fase caracteriza-se por uma total falta de esperança em relação ao ser humano, com três romances que terminavam com uma visão desencantada da vida. São eles:
a)   O Primo Basílio, A Ilustre Casa de Ramires e A Relíquia;
b)   A Relíquia, A Cidade e as Serras e Os Maias;
c)   O Capital, A Relíquia e A Cidade e as Serras;
d)   O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio e Os Maias.
e)   Os Maias, O Crime do Padre Amaro e A Ilustre Casa de Ramires;

03 - (IFSP)  
Considere as afirmativas sobre o Realismo.

I.       Os escritores procuram uma visão científica, exa­ta, verossímil do mundo e das pessoas.
II.      Este movimento reflete as profundas transforma­ções políticas, econômicas, culturais e sociais da segunda metade do século XIX.
III.    Aproxima-se do Romantismo, concentrando-se na valorização do individual, do mundo íntimo.

Qual(is) está(ão) correta(s)?

a)      Apenas a I.
b)      Apenas a II.
c)      Apenas a III.
d)      Apenas a I e a II.
e)      I, II, III.

04 - (UFT TO)   
Sobre Machado de Assis, NÃO é correto afirmar:

a)   Sua produção literária costuma ser dividida em dois grupos: no primeiro, de herança romântica, seus livros apresentam um conjunto de características que diz respeito, de um modo geral, ao romance brasileiro do século XIX. Desse grupo fazem parte: Ressurreição, Helena, A Mão e a Luva e Iaiá Garcia. No segundo grupo, Machado revelou-se um gênio na análise psicológica das personagens. Pertencem a esse grupo obras como: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro e Esaú e Jacó.
b)   Com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Machado de Assis ocupa na literatura brasileira a posição de introdutor do romance psicológico, da perspectiva problematizadora, da visão crítica e reflexiva do mundo, fugindo da descrição de paisagens para enfatizar, principalmente, a forma como o homem vê e sente as circunstâncias em que vive.
c)   Apesar de seu espírito inovador, Machado de Assis ainda conservou, em muitas de suas narrativas, a preocupação com o mundo dos cavaleiros destemidos, das virgens ingênuas e frágeis, além de propor a valorização do ideal de uma vida primitiva, distante da civilização.
d)   A ironia é um dos traços mais marcantes da obra machadiana, aparecendo, de forma mais acentuada, nos romances da segunda fase. Como uma construção lingüística que prevê outros sentidos para o que é dito, a ironia em Machado serve para combater as verdades absolutas, das quais desacreditava por princípio.

05 - (UCS RS)  
Sobre o Realismo é INCORRETO afirmar que

a)   propõe uma análise objetiva da realidade, tentando retratá-la como uma fotografia.
b)   se opõe ao Romantismo, pois o idealismo deste não permite olhar a vida com olhos de um observador impiedoso.
c)   Flaubert, na França, e Machado de Assis, no Brasil, são dois grandes nomes do Realismo.
d)   O Ateneu, uma das importantes obras do Realismo brasileiro, possui um tom introspectivo, pois nela Raul Pompéia desenvolve uma análise psicológica dos personagens.
e)   Dom Casmurro, de Machado de Assis, marca o início do Realismo no Brasil.

TEXTO: 1 - Comum à questão: 6

  
A Marquesa de Alegros ficara viúva aos quarenta e três anos e passava a maior parte do ano retirada na sua quinta de Carcavelos. Era uma pessoa passiva, de bondade indolente, com capela em casa, um respeito devoto pelos padres de S. Luís, sempre preocupada dos interesses da igreja. As suas duas filhas, educadas no receio do céu e nas preocupações da moda, eram beatas e faziam o chic falando com igual fervor da humildade cristã e do último figurino de Bruxelas. Um jornalista de então dissera delas: – Pensam todos os dias na toilette com que hão de entrar no paraíso.
Eça de Queirós

06 - (MACK SP)   
Assinale a alternativa que traz comentário crítico adequado ao texto.
a)   Para o autor realista, a decadência dos valores da sociedade burguesa deveria ser combatida com exemplos de conduta moral e religiosa.
b)   O Naturalismo denuncia a degradação da aristocracia, descrevendo minuciosamente traços psicopatológicos das personagens.
c)    O romance realista adota ponto de vista crítico com relação ao comportamento social.
d)   No final do século XIX, a ficção opõe-se aos princípios filosóficos do cientificismo, recuperando valores espiritualistas até então contestados.
e)   O escritor naturalista caracteriza-se pela linguagem vulgar com que critica, explicitamente, a indolência e a hipocrisia da aristocracia.

TEXTO: 2 - Comum à questão: 7

   
Jerônimo bebeu um bom trago de parati, mudou de roupa e deitou-se na cama de Rita.
— Vem pra cá... disse, um pouco rouco.
— Espera! espera! O café está quase pronto!
E ela só foi ter com ele, levando-lhe a chávena fumegante da perfumosa bebida que tinha sido a mensageira dos seus amores
(...)
Depois, atirou fora a saia e, só de camisa, lançou-se contra o seu amado, num frenesi de desejo doído.
Jerônimo, ao senti-la inteira nos seus braços; ao sentir na sua pele a carne quente daquela brasileira; ao sentir inundar-se o rosto e as espáduas, num eflúvio de baunilha e cumaru, a onda negra e fria da cabeleira da mulata; ao sentir esmagarem-se no seu largo e peludo colo de cavouqueiro os dois globos túmidos e macios, e nas suas coxas as coxas dela; sua alma derreteu-se, fervendo e borbulhando como um metal ao fogo, e saiu-lhe pela boca, pelos olhos, por todos os poros do corpo, escandescente, em brasa, queimando-lhe as próprias carnes e arrancando-lhe gemidos surdos, soluços irreprimíveis, que lhe sacudiam os membros, fibra por fibra, numa agonia extrema, sobrenatural, uma agonia de anjos violentados por diabos, entre a vermelhidão cruenta das labaredas do inferno.

07 - (UNIFESP SP)   
O cortiço, obra naturalista,
a)   traduziu a sensualidade humana na ótica do objetivismo científico, o que se alinha à grande preocupação espiritual.
b)   fez análises muito subjetivas da realidade, pouco alinhadas ao cientificismo predominante na época.
c)   explorou as mazelas humanas de forma a incitar a busca por valores éticos e morais.
d)   não pôde ser considerado um romance engajado, pois deixou de lado a análise da realidade.
e)   tratou de temas de patologia social, pouco explorados nas escolas literárias que o precederam.

TEXTO: 3 - Comum à questão: 8

  
O pintor francês Gustave Courbet procurou, em suas telas, “traduzir os costumes, as idéias, o aspecto de [sua] época (...), fazer arte atual”. Segundo ele, o “núcleo do Realismo é a negação do ideal. O Enterro em Ornans foi o enterro do Romantismo”.
(Gustave Courbet, Enterro em Ornans)


TEXTO I

Capítulo CXXIV – O discurso

– Vamos, são horas...
Era José Dias que me convidava a fechar o ataúde. Fechamo–lo, e eu peguei numa das argolas; rompeu o alarido final. Palavra que, quando cheguei à porta, vi o sol claro, tudo gente e carros, as cabeças descobertas, tive um daqueles meus impulsos que nunca chegavam à execução: foi atirar à rua caixão, defunto e tudo. No carro disse a José Dias que se calasse. No cemitério tive de repetir a cerimônia da casa, desatar as correias, e ajudar a levar o féretro à cova. O que isto me custou imagina. Descido o cadáver à cova, trouxeram a cal e a pá; sabes disto, terás ido a mais de um enterro, mas o que não sabes nem pode saber nenhum dos teus amigos, leitor, ou qualquer outro estranho, é a crise que me tomou quando vi todos os olhos em mim, os pés quietos, as orelhas atentas, e, ao cabo de alguns instantes de total silêncio, um sussurro vago, algumas vozes interrogativas, sinais, e alguém, José Dias, que me dizia ao ouvido:
– Então, fale.
Era o discurso. Queriam o discurso. Tinham jus ao discurso anunciado. Maquinalmente, meti a mão no bolso, saquei o papel e li-o aos trambolhões, não todo, nem seguido, nem claro; a voz parecia-me entrar em vez de sair, as mãos tremiam-me. Não era só a emoção nova que me fazia assim, era o próprio texto, as memórias do amigo [Escobar], as saudades confessadas, os louvores à pessoa e aos seus méritos; tudo isto que eu era obrigado a dizer e dizia mal. Ao mesmo tempo, temendo que me adivinhassem a verdade, forcejava por escondê-la bem.
(Machado de Assis, D. Casmurro)


TEXTO II

O enterro do Rei D. Luís

Eis o cadáver chegado a S. Vicente. Os canhões troam. Dobres de sinos. Fuzilaria nas ruas. É aquele o momento solene, definitivo, único, em que o rei morto despe de vez a sua dalmática de chefe, para transformar-se em lixo e múmia – e foi esse também o que a Igreja escolheu, para dizer à rainha que a alma do marido devia estar àquela hora a cear com Satanás.
Por forma que não houve injúria que a cabouqueira do bondoso rei não apanhasse. Príncipes e áulicos, grandes e humildes, tudo lhe ultrajou a memória, em vez de venerar-lha. O filho riu-se dele. Antigos ministros chamaram-lhe devasso e papas-moles. O patriarca compara-o à mulher adúltera.
(Fialho de Almeida, Os gatos)
Dalmática: túnica
Áulico: pertencente à corte
Cabouqueira: cova

08 - (UFTM MG)   
O “enterro do Romantismo” a que se refere Courbet implicou, para os realistas, portugueses e brasileiros,
a)   aceitação de teorias científicas; arte condicionada ao ambiente social; defesa da “arte pela arte”.
b)   aceitação de valores degradados da sociedade; postura evasiva; sondagem do mundo interior.
c)   resgate do passado medieval; anticlericalismo; uso do romance para denunciar as crises sociais.
d)   arte compromissada com a reforma social; o homem como medida de todas as coisas; defesa da liberdade da criação artística.
e)   combate ao sentimentalismo; visão racional do mundo; objetividade e universalidade.

TEXTO: 4 - Comum à questão: 9


Leia o trecho da obra “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, em que o personagem Jerônimo* deixa–se seduzir por Rita Baiana.

*Jerônimo, imigrante português, homem honesto, inserido em ambiente degradado.


Jerônimo levantou–se, quase que maquinalmente, e seguido por Piedade, aproximou–se da grande roda que se formara em torno dos dois mulatos. [...]
E viu a Rita Baiana, que fora trocar o vestido por uma saia, surgir de ombros e braços nus, para dançar. [...]
Ela saltou em meio da roda, com os braços na cintura, rebolando as ilhargas e bamboleando a cabeça, ora para a esquerda, ora para a direita, como numa sofreguidão de gozo carnal, num requebrado luxurioso que a punha ofegante; já correndo de barriga empinada; já recuando de braços estendidos, a tremer toda, como se se fosse afundando num prazer grosso que nem azeite, em que se não toma pé e nunca se encontra fundo. [...]
E Jerônimo via e escutava, sentindo ir–se–lhe toda a alma pelos olhos enamorados.
Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio–dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando–lhe os desejos, acordando–lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando–lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam–se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.
AZEVEDO, Aluísio de. O cortiço. 26. Ed. São Paulo: Ática, 1994. Pág. 72‐73. (Fragmento).

Ilhargas: partes laterais e inferiores do baixo‐ventre.
Setentrional: próprio do norte.
Cantáridas: insetos de coloração verde‐dourada com reflexos avermelhados.

09 - (UFLA MG)  
A aplicabilidade da teoria de Darwin nesta obra tem correspondência com a seguinte alternativa:

a)   demonstrar a tese de que o ser humano é fruto do meio em que vive – Jerônimo está condenado à degradação moral.
b)   descrever os movimentos de Rita Baiana, recorrendo, com frequência, a comparações com animais e plantas.
c)   associar a sexualidade aos elementos da natureza nacional, despertando desejos a que o português Jerônimo não conseguirá resistir.
d)   atribuir ao cortiço a condição de uma personagem, que vai se expandindo e multiplicando a cada dia.

TEXTO: 5 - Comum à questão: 10

 
Crônica da abolição

Eu pertenço a uma família de profetas “après coup”1, “post factum”2, “depois do gato morto”, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido 5por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.
Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.
No golpe do meio (“coupe do milieu”3, mas eu prefiro falar a minha língua) levantei-me eu com a taça de 10champanha e declarei que, acompanhando as idéias pregadas por Cristo há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas idéias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus que os homens não podiam roubar sem pecado.
Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos 15meus amigos (creio que é ainda meu sobrinho) pegou de outra taça e pediu à ilustre assembléia que correspondesse ao ato que acabava de publicar brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo: fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.
20No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:
— Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida, e tens mais um ordenado, um ordenado que...
— Oh! meu senhô! Fico.
— Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo: tu cresceste imensamente. 25Quando nasceste eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...
— Artura não qué dizê nada, não, senhô...
— Pequeno ordenado, repito, uns seis mil-réis: mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha.
30— Eu vaio um galo, sim, senhô.
— Justamente. Pois seis mil-réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.
Pancrácio aceitou tudo: aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois 35estados naturais, quase divinos.
Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio: daí para cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente e (Deus me perdoe!) creio que até alegre. [...]
MACHADO DE ASSIS
http://portal.mec.gov.br

Vocabulário:
1“après coup”: depois do golpe
2“post factum”: depois do fato
3“coupe do milieu”: o autor utiliza uma expressão inexistente em francês para mostrar a ignorância do personagem

10 - (UERJ)  
Poucos dias após a Abolição da Escravatura, o escritor Machado de Assis publicou nos jornais essa crônica, na verdade um pequeno conto irônico. A ironia é uma forma de relativizar uma posição, mostrando-a sob outra perspectiva.
Identifique o alvo da ironia de Machado de Assis e demonstre por que a contratação de Pancrácio como assalariado faz parte dessa ironia.

GABARITO:

1) Gab: B

2) Gab: D

3) Gab: D

4) Gab: C

5) Gab: E

6) Gab: C

7) Gab: E

8) Gab: E

9) Gab: A

10) Gab:
A existência de hipócritas dentre os que defendiam a abolição da escravatura.
A contratação de Pancrácio como assalariado na verdade o mantém sob o domínio e a exploração do seu antigo dono, agora patrão.


Questão 11)   
O romance O Cortiço, escrito por Aluísio de Azevedo, integra a estética naturalista da literatura brasileira. A respeito dele, indique, nas alternativas abaixo, a que foge a uma identificação com os fatos e as situações narradas na obra.

a)    O romance revela a oposição e o contraste entre os dois espaços da narrativa, o cortiço e o sobrado, e a disputa gananciosa que se estabelece entre João Romão e Miranda.
b)    No cortiço há uma infinidade de tipos, espécie de sínteses sociais com que o autor procurou estabelecer a ponte entre os seres de ficção e a realidade. Por isso, o romance trata dominantemente da historia de personagens, em sua individualidade, em detrimento da coletividade.
c)    Todos os acontecimentos notáveis do cortiço contam com a participação do grupo de lavadeiras, que desempenha papel simultâneo de espectador e agente dos acontecimentos.
d)    João Romão se desdobra para enriquecer e o dinheiro é a mola propulsora que o conduz, que o força unicamente para o acumular, ainda que para isso seja necessário roubar, escravizar, mentir, sofrer as maiores agruras.
e)    A relação de Bertoleza com João Romão começa com um engano e termina em tragédia. João Romão a restitui ao dono e à escravidão. Entre o retorno à escravidão e a morte, Bertoleza não tem dúvida: de um só golpe, certeiro e fundo, rasga o ventre de lado a lado.

Gab: B

Questão 12)   
Sobre o Naturalismo literário, é correto afirmar:

I.     Ao aprofundar aspectos realistas da literatura, cientificiza um discurso, assumido no plano estético pela ficção, induzindo o leitor a buscar não somente entretenimento em seus romances, mas também a problematização de estruturas sociais e de aspectos psicológicos das personagens.
II.    O romance de tese, a exemplo de O cortiço, é o melhor projeto para o naturalista, uma vez que este só é considerado naturalista na medida em que sua produção literária se realiza unicamente no chamado romance de tese.
III.   O realce de traços físicos e psicológicos nos romances de tese ratifica a ideia de o naturalismo, em suas narrativas, acentuar as tensões sociais e de demandas coletivas como proposta a ser problematizada a partir do elemento com o qual o leitor estabelece um grau de intimidade ou identificação, a saber, a personagem de ficção.

a)    somente II e III estão corretas
b)    somente I está correta
c)    somente I e II estão corretas
d)    somente I e III estão corretas
e)    as três proposições estão corretas

Gab: D

Questão 13)   
Assinale o que for correto.

01. Posturas realistas podem ser encontradas em qualquer estilo de época, sempre que o artista se propõe a retratar a realidade objetivamente. No entanto, na segunda metade do século XIX, registrou-se um movimento literário denominado Realismo, que privilegiou a razão como a melhor forma de percepção da realidade, em detrimento da emoção. A sociedade passa a ser focalizada como o centro dos interesses dos escritores realistas, assumindo o lugar das perspectivas individualistas tão caras aos românticos.
02. O realismo machadiano apresenta-se de forma diferente do Realismo tradicional, na medida em que foge da crítica direta e lança mão de estratégias narrativas diferentes das convencionais. Machado de Assis prefere denunciar as mazelas sociais e individuais por meio de sugestões analógicas, como comparações e alegorias, freqüentemente matizadas de ironia; além de fazer uso da intrusão metalingüística, dirigindo-se aos seus leitores para tecer comentários acerca da confecção do livro, quebrando, conseqüentemente, a ilusão de verdade cultivada pela escola realista.
04. As características fundamentais do Realismo/Naturalismo aparecem intimamente associadas ao momento histórico em que a tendência se desenvolve. Desse modo, a estética realista/naturalista aproveita os ensinamentos do Positivismo, do Socialismo e do Evolucionismo. Assim, os adeptos da estética passam a subestimar o subjetivismo romântico, o personalismo e o nacionalismo para fundamentarem suas escolhas no objetivismo e no materialismo.
08. Na obra de Machado de Assis, sobretudo após a publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), são bastante recorrentes os seguintes temas: a relatividade dos valores morais, a loucura, a ambição, a vaidade, o adultério e a contradição entre a aparência e a essência.
16. O Realismo no Brasil não é considerado pela crítica uma escola literária coesa. Além de Machado de Assis, vários outros escritores considerados realistas trilham caminhos próprios, ora voltando-se para os ideais da escola de Flaubert, ora afastando-se deles, como se vê no caso de afastamento em O cortiço, de Aluisio Azevedo, obra que contraria os ideais realistas da objetividade e da impessoalidade.

Gab: 15

Questão 14)    
O primo Basílio pertence à fase dita realista de seu autor, Eça de Queirós. É reconhecido, também, como um romance de tese - tipo de narrativa em que se demonstra uma idéia, em geral com intenção crítica e reformadora. Tendo em vista essas determinações gerais, é correto afirmar que, nesse romance,
a)   o foco expressivo se concentra na interioridade subjetiva das personagens, que se dão a conhecer por suas idéias e sentimentos, e não por suas falas ou ações.
b)   as personagens se afastam de caracterizações típicas, tornando-se psicologicamente mais complexas e individualizadas.
c)   a preferência é dada à narração direta, evitando-se recursos como a ironia, o suspense, o refinamento estilístico de períodos e frases.
d)   o interesse pelas relações entre o homem e o meio amplia o espaço e as funções das descrições, tornadas mais minuciosas e significativas.
e)   a narração de ações, a criação de enredos e as reflexões do narrador são amplamente substituídas pelo debate ideológico-moral entre Jorge e o Conselheiro Acácio.

Gab: D

TEXTO: 1 - Comum à questão:1 5

 
documento

     1Encontro um caderno antigo, de adolescente. E, em vez das simples anotações que seriam 2preciosas como documento, descubro que eu só fazia literatura. Afinal, quando é que um 3adolescente já foi natural? E, folheando aquelas velhas páginas, vejo, compungido, como as 4comparações caducam. Até as imagens morrem, dizia Brás Cubas. Quero crer que caduquem apenas. 5Eis aqui uma amostra daquele “diário”:
     6“Era tal qual uma noite de tela cinematográfica. Silenciosa, parada, de um suave azul de tinta de 7escrever. O perfil escuro das árvores recortava-se cuidadosamente naquela imprimadura* unida, 8igual, que estrelinhas azuis picotavam. Os bangalôs dormiam. Uma? Duas? Três horas da madrugada? 9Nem a lua sequer o sabia. A lua, relógio parado...”
     10Pois vocês já viram que mundo de coisas perdidas?! O cinema não é mais silencioso. Não se usa 11mais tinta de escrever. Não se usam mais bangalôs.
     12E ninguém mais se atreve a invocar a lua depois que os astronautas se invocaram com ela.
Mário Quintana, Na volta da esquina. Porto Alegre: Globo, 1979.

*imprimadura: s.f. art. plást. 1 ato ou efeito de imprimar 1.1 primeira demão de tinta em tela, madeira etc.

Questão 15)   
Ao parafrasear Brás Cubas, que afirmou que “Até as instituições morrem”, o autor alude a uma característica da personagem machadiana, que pode ser mais bem definida como

a)    saudosista e, ao mesmo tempo, trágica.
b)    cínica e, em geral, sarcástica.
c)    convencional, porém um tanto cômica.
d)    ingênua e, por isso mesmo, risível.
e)    condescendente e levemente sentimental.

Gab: B

domingo, 20 de maio de 2012

PERIDIZAÇÃO DA LITERATURA PORTUGUESA

A literatura portuguesa esta dividida em três eras: a Medieval, nos séculos XII ao XV teve como característica o feudalismo o teocentrismo (Deus como o Centro). Na era clássica que tem como característica o Renascimento, nos séculos XVI e XVIII teve como base, restauração dos valores clássicos (Iluminismo). Já na Era Moderna ou Românica era o momento da era das máquinas e da eletricidade.

Certamente o tempo em que o escritor vive influência e muito na construção de obras literárias, mas por meio da linguagem expressam essa substância. A função da Literatura é fazer com que o leitor tenha prazer na leitura que realiza. A literatura é baseada em obras que já foram escritas.

Existem variados temas para os escritores literários: os diluidores, ao que já foi criado ele não criam nada acima, os mestres, são os que aperfeiçoam e atualizam essa tradição, e por fim os gênios, que acrescentam uma nova tradição e que também buscam a novidade.

Existem variados objetivos para os estudos literários e um deles é a compreensão de varias soluções que os escritores vêm criando para que haja expressão de sentimentos através da palavra, buscando valores e crenças de cada época, e fazendo com que cada um seja adaptado a um estilo literário, escolas, estilos e correntes. Por exemplo: dentro do Classicismo será estudado Camões.

Cronologia da Literatura Portuguesa

• Era Medieval Século XII a XV

Trovadorismo: 1198 – 1434 = 1198 Cantiga da Ribeirinha – Paio Soares de Taveirós- 1º doc. Literário (data presumida).

Humanismo Pré-renascentismo: 1434 -1527 = 1434 Nomeação de Fernão Lopes como Primeiro Cronista- mor do Reino (mecenatismo oficial).

• Era Clássica Século XVI a XVIII

Classicismo Renascentismo: 1527 – 1580 = 1527 é trazido da Itália por Sade Miranda A Medida Nova (os decassílabos, o soneto e outras formas clássicas).

Barroco cultismo e conceptismo: 1580- 1756 = 1580 Morte de Camões; união das coroas ibéricas e Domínio espanhol.

Neoclassicismo / Arcadismo e Pré-romantismo: 1756 – 1825 = 1756 Fundação da Arcádia Lusitana.

• Era moderna ou Romântica Século XIX.

Romantismo: 1825 – 1865 = 1825 Publicação do Poema Camões, de Almeida Garret.

Realismo-Naturalismo: 1865 – 1890 = 1865 Polêmica entre românticos e realistas.

Simbolismo e transição: 1890- 1815 = 1890 Publicação de Oaristos, de Eugênio de Castro.

• Modernismo Século XX.

I – Geração Orpheu: publicação da Revista Orpheu em 1915, que passou a ser o porta-voz do Orfismo. (Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Almeida - Negreiros).

II – Geração Presença: Houve a publicação da revista Presença, em 1927, que foi porta-voz do Presencismo. (José Régio, Branquinho da Fonseca, João Gaspar Simões, Miguel Torga etc.).

III. Neo-realismo: 1940 Publicações de Gaibéus, de Alves Redol. (Ferreira de Castro, Alves Redol, Virgílio Ferreira, Fernando Namora e etc.).

• Autores Contemporâneos:

Mário Cesariny de Vasconcelos, Antonio Ramos Rosa, Luisa Neto Jorge, Eugênio de Andrade, Teresa Velho Horta José Saramago, Alfredo Margarido, José Cardoso Pires e etc.

PERIODIZAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA

1500 é o ano do descobrimento do Brasil. Evidentemente, o que primeiro se escreveu aqui é chamado de Literatura sobre o Brasil e a Carta de Pero Vaz da Caminha é o primeiro desses documentos:
"De ponta a ponta é toda praia... muito chã e fremosa. [...] Nela até agora não pudemos saber que haja ouro nem prata, ... porém a terra em si é de muitos bons ares assim frios e temperados como os de Entre-Doiro-e-Minho. Águas são muitas e infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem, porém o melhor fruto que nela se pode fazer me parece que será salvar esta gente e esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela se deve lançar. [...]"
A literatura brasileira é dividida em duas grandes fases ou eras: a era colonial - que corresponde ao período do Brasil colônia - e a era nacional, que se inicia após a independência do país.
A era colonial da literatura brasileira é dividida em três períodos, que representam três movimentos literários:
  • 1500 a 1601: Literatura de Informação - literatura SOBRE o Brasil
  • 1601 a 1768: Período Barroco - literatura NO Brasil
  • 1768 a 1836: Arcadismo - literatura DO Brasil
A era nacional abrange todas as estéticas literárias que aconteceram a partir do Romantismo:
  • 1836 a 1881: Romantismo
  • 1881 a 1893: Realismo - Naturalismo - Parnasianismo
  • 1893 a 1902: Simbolismo
  • 1902 a 1922: Pré-Modernismo
  • 1922 a 1960: Modernismo
  • 1960 à atualidade: tendências contemporâneas.
Fonte: http://www.10emtudo.com.br/
Exercícios - FIGURAS DE LINGUAGEM

01. (FIGURAS DE LINGUAGEM) (VUNESP) No trecho: "...dão um jeito de mudar o mínimo para continuar mandando o máximo", a figura de linguagem presente é chamada:

a) metáfora
b) hipérbole
c) hipérbato
d) anáfora
e) antítese


02. (FIGURAS DE LINGUAGEM) (PUC - SP) Nos trechos: "O pavão é um arco-íris de plumas" e "...de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira..." enquanto procedimento estilístico, temos, respectivamente:

a) metáfora e polissíndeto;
b) comparação e repetição;
c) metonímia e aliteração;
d) hipérbole e metáfora;
e) anáfora e metáfora.


03. (FIGURAS DE LINGUAGEM) (PUC - SP) Nos trechos: "...nem um dos autores nacionais ou nacionalizados de oitenta pra lá faltava nas estantes do major" e "...o essencial é achar-se as palavras que o violão pede e deseja" encontramos, respectivamente, as seguintes figuras de linguagem:

a) prosopopéia e hipérbole;
b) hipérbole e metonímia;
c) perífrase e hipérbole;
d) metonímia e eufemismo;
e) metonímia e prosopopéia.


04. (FIGURAS DE LINGUAGEM) (VUNESP) Na frase: "O pessoal estão exagerando, me disse ontem um camelô", encontramos a
figura de linguagem chamada:

a) silepse de pessoa
b) elipse
c) anacoluto
d) hipérbole
e) silepse de número


05. (FIGURAS DE LINGUAGEM) (ITA) Em qual das opções há erro de identificação das figuras?

a) "Um dia hei de ir embora / Adormecer no derradeiro sono." (eufemismo)
b) "A neblina, roçando o chão, cicia, em prece. (prosopopéia)
c) Já não são tão freqüentes os passeios noturnos na violenta Rio de Janeiro. (silepse de número)
d) "E fria, fluente, frouxa claridade / Flutua..." (aliteração)
e) "Oh sonora audição colorida do aroma." (sinestesia)


06. (FIGURAS DE LINGUAGEM) (UM - SP) Indique a alternativa em que haja uma concordância realizada por silepse:

a) Os irmãos de Teresa, os pais de Júlio e nós, habitantes desta pacata região, precisaremos de muita força para sobreviver.
b) Poderão existir inúmeros problemas conosco devido às opiniões dadas neste relatório.
c) Os adultos somos bem mais prudentes que os jovens no combate às dificuldades.
d) Dar-lhe-emos novas oportunidades de trabalho para que você obtenha resultados mais satisfatórios.
e) Haveremos de conseguir os medicamentos necessários para a cura desse vírus insubordinável a qualquer tratamento.


07. (FIGURAS DE LINGUAGEM) (FEI) Assinalar a alternativa correta, correspondente à figuras de linguagem, presentes nos fragmentos abaixo:

I. "Não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste."

II. "A moral legisla para o homem; o direito para o cidadão."

III. "A maioria concordava nos pontos essenciais; nos pormenores porém, discordavam."

IV. "Isaac a vinte passos, divisando o vulto de um, pára, ergues a mão em viseira, firma os olhos."

a) anacoluto, hipérbato, hipálage, pleonasmo;
b) hipérbato, zeugma, silepse, assíndeto;
c) anáfora, polissíndeto, elipse, hipérbato;
d) pleonasmo, anacoluto, catacrese, eufemismo;
e) hipálage, silepse, polissíndeto, zeugma.


08. (FIGURAS DE LINGUAGEM) (FEBA - SP) Assinale a alternativa em que ocorre aliteração:

a) "Água de fonte .......... água de oceano ............. água de pranto. (Manuel Bandeira)
b) "A gente almoça e se coça e se roça e só se vicia." (Chico Buarque)
c) "Ouço o tique-taque do relógio: apresso-me então." (Clarice Lispector)
d) "Minha vida é uma colcha de retalhos, todos da mesma cor." (Mário Quintana)
e) N.d.a.


09. (FIGURAS DE LINGUAGEM) (CESGRANRIO) Na frase "O fio da idéia cresceu, engrossou e partiu-se" ocorre processo de gradação. Não há gradação em:

a) O carro arrancou, ganhou velocidade e capotou.
b) O avião decolou, ganhou altura e caiu.
c) O balão inflou, começou a subir e apagou.
d) A inspiração surgiu, tomou conta de sua mente e frustrou-se.
e) João pegou de um livro, ouviu um disco e saiu.


10. (FIGURAS DE LINGUAGEM) (FATEC) "Seus óculos eram imperiosos." Assinale a alternativa em que aparece a mesma figura de linguagem que há na frase acima:

a) "As cidades vinham surgindo na ponte dos nomes."
b) "Nasci na sala do 3° ano."
c) "O bonde passa cheio de pernas."
d) "O meu amor, paralisado, pula."
e) "Não serei o poeta de um mundo caduco."


11. No enunciado: “Virgílio, traga-me uma coca cola bem gelada!”, registra-se uma figura de linguagem denominada:

A) anáfora
B) personificação
C) antítese
D) catacrese
E) metonímia

12.(FMU) Quando você afirma que enterrou “no dedo um alfinete”, que embarcou “no trem” e que serrou “os pés da mesa”, recorre a um tipo de figura de linguagem denominada:


A) metonímia
B) antítese
C) paródia
D) alegoria
E) catacrese

13.(U. Taubaté) No sintagma: “Uma palavra branca e fria”, encontramos a figura denominada:


A) sinestesia
B) eufemismo
C) onomatopéia
D) antonomásia
E) catacrese

14. (FAU-Santos) Nos versos: “Bomba atômica que aterra
Pomba atônita da paz
Pomba tonta, bomba atômica…”

A repetição de determinados elemento fônicos é um recurso estilístico denominado:


A) hiperbibasmo
B) sinédoque
C) metonímia
D) aliteração
E) metáfora

15. (Maringá) Leia os versos e depois assinale a alternativa correta:

“Amo do nauta o doloroso grito
Em frágil prancha sobre o mar de horrores,
Porque meu seio se tornou pedra,
Porque minh’alma descorou de dores.” (Fagundes Varela)

No primeiro verso, há uma figura que se traduz por:

A) pleonasmo
B) hipérbato
C) gradação
D) anacoluto
E) anáfora

16. (Cesesp – PE) Leia atentamente os períodos:

1.Vários de nós ficamos surpresos.
2.Essa gente está furiosa e com medo; por consequência, capazes de tudo.
3.Tua mãe, não há idade nem desgraça que lhe transforme o sorriso.
4.Entre elas, alguém estava envergonhada.
Os períodos aça contêm, respectiva e sucessivamente, as seguintes figuras de sintaxe:


A) Silepse de pessoa, silepse de gênero, anacoluto, silepse de número.
B) Anacoluto, anacoluto, anacoluto, silepse de número.
C) Silepse de número, silepse de pessoa, anacoluto, anacoluto.
D) Silepse de pessoa, silepse de número, anacoluto, silepse de gênero.
E) Silepse de pessoa, anacoluto, silepse de gênero, anacoluto.

17. (Inatel) Reconheça e classifique as figuras de palavras, de construção e de pensamento:

( ) “Quando uma lousa cai sobre um cadáver mudo”.
( ) “Terrível hemorragia de sangue”.
( ) “Das idades através”.
( ) “Oxalá tenham razão”.
( ) “Trejeita, e canta, e ri nervosamente”.

•(1) Polissíndeto
•(2) Hipérbato
•(3) Epíteto
•(4) Pleonasmo
•(5) Elipse
A sequência que corresponde à resposta correta é:

A) 4,3,5,2,1
B) 3,4,2,1,5
C) 3,4,2,5,1
D) 3,4,5,2,1
E) 1,3,2,5,4

18. (Cescea) Identifique os recursos estilísticos empregados no texto:

“Nem tudo tinham os antigos, nem tudo temos, os modernos”. (Machado de Assis)

A) anáfora – antítese – silepse
B) metáfora – antítese – elipse
C) anástrofe – antítese – zeugma
D) pleonasmo – antítese – silepse
E) anástrofe – comparação – parábola

19. (Mack) Nos versos abaixo, uma figura se ergue graças co conflito de duas visões antagônicas:

“Saio do hotel com quatro olhos,
- Dois do presente,
- Dois do passado.”

Esta figura de linguagem recebe o nome de:

A) metonímia
B) catacrese
C) hipérbole
D) antítese
E) hipérbato

20. (FIGURAS DE LINGUAGEM) (FUVEST) Identifique a figura de linguagem empregada nos versos destacados:

“No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos!”

A) antítese
B) anacoluto
C) hipérbole
D) litotes
E) paragoge

21. (FIGURAS DE LINGUAGEM) (FUVEST) A figura de linguagem empregada nos versos em destaque é:

“Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável)
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!”

A) clímax
B) eufemismo
C) sínquise
D) catacrese
E) pleonasmo

22. (FIGURAS DE LINGUAGEM) Em cada um dos períodos abaixo ocorre uma silepse. Marque a alternativa que classifica corretamente cada uma delas.

1.“Está uma pessoa ouvindo missa, meia-hora o cansa e atormenta e faz romper em murmurações”.
2.“E todos assim nos distraímos nesses preparativos”. (Aníbal Machado)
3.“A multidão vai subindo, subiram, subiram mais”. (Murilo Mendes)

A) silepse de gênero, silepse de número, silepse de número.
B) silepse de pessoa, silepse de número, silepse de pessoa.
C) silepse de gênero, silepse de pessoa, silepse de pessoa.
D) silepse de gênero, silepse de pessoa, silepse de número.
E) silepse de número, silepse de pessoa, silepse de gênero.


Leia mais: http://www.seuconcurso.com.br/figuras.htm#ixzz1vQCrLV7H
CONTEÚDO 2º ANO COLÉGIO AMERICANO

FIGURAS DE LINGUAGEM
Figuras de estilo, figuras de retórica (Portugal) ou figuras de linguagem (Brasil) são estratégias que o escritor pode aplicar no texto para conseguir um efeito determinado na interpretação do leitor. São formas de expressão mais localizadas em comparação às funções da linguagem, que são características globais do texto. Podem relacionar-se com aspectos semânticos, fonológicos ou sintáticos das palavras afetadas. É muito usada no dia-a-dia das pessoas, nas canções e também é um recurso literário.
O ato de desviar-se da norma padrão no intuído de alcançar maior expressividade, refere-se às figuras de linguagem. Quando o desvio se dá pelo não conhecimento da norma culta, temos os chamados vícios de linguagem.
1) ELIPSE – ZEUGMA
Veja os exemplos:
1-Na estante, livros e mais livros.
2-Ele prefere um passeio pela praia; eu, cinema.
No 1º exemplo temos uma elipse, já no 2º, a figura que aparece é o zeugma.
A elipse consiste na omissão de um termo que é facilmente identificado.
No exemplo 1, percebemos claramente que o verbo “haver” foi omitido.
No exemplo 2, ocorre zeugma, que é a omissão de um termo que já fora expresso anteriormente.
“Ele prefere um passeio pela praia; eu, (prefiro) cinema.”(Não houve necessidade de repetir o verbo, pois entendemos o recado).
2) PLEONASMO
Na oração: “Ela cantou uma canção linda!”, houve o emprego de um termo desnecessário, pois quem canta, só pode cantar uma canção.
Na famosa frase: “Vi com meus próprios olhos.”, também ocorre o mesmo.
Pleonasmo é a repetição de ideias
Exemplos:
Correm pelo parque as crianças da rua.
Na escada subiu o pintor.
As duas orações estão na ordem inversa.
O hipérbato consiste na inversão dos termos da oração.
Na ordem direta ficaria:
As crianças da rua correm pelo parque.
O pintor subiu na escada.
4) ANACOLUTO
É a falta de nexo que existe entre o início e o fim de uma frase.
Dois gatinhos miando no muro, conversávamos sobre como é complicada a vida dos animais.
Novas espécies de tubarão no Japão, pensava em como é misteriosa a natureza.
5) SILEPSE
É a concordância com a ideia e não com a palavra dita.
Pode ser: de gênero, número ou pessoa.
SILEPSE DE GÊNERO (masc./fem.)Vossa Excelência está admirado do fato?
O pronome de tratamento “Vossa Excelência” é feminino, mas o adjetivo “admirado” está no masculino. Ou seja, concordou com a pessoa a quem se referia (no caso, um homem).
Aqui temos o feminino e o masculino, logo, silepse de gênero.
SILEPSE DE NÚMERO (singular/plural)
Aquela multidão gritavam diante do ídolo.
Multidão está no singular, mas o verbo está no plural.
“Gritavam” concorda com a ideia de plural que está em “multidão”.
Mais exemplos.
A maior parte fizeram a prova.
A grande maioria estudam uma língua.
SILEPSE DE PESSOA
Todos estávamos nervosos.
Esta frase levaria o verbo normalmente para a 3ª pessoa (estavam – eles) mas a concordância foi feita com a 1ª pessoa(nós).
Temos aqui 2 pessoas ( eles e nós ) logo, silepse de pessoa.
Mais exemplos:
As duas comemos muita pizza.(elas – nós)
Todos compramos chocolates e balas.(eles – nós)
Os brasileiros sois um povo solidário. (eles – vós)
Os cariocas somos muito solidários.(eles – nós)
6) METÁFORA – COMPARAÇÃO
1-Aquele homem é um leão.
Estamos comparando um homem com um leão, pois esse homem é forte e corajoso como um leão.
2-A vida vem em ondas como o mar.
Aqui também existe uma comparação, só que desta vez é usado o conectivo comparativo: como.
O exemplo 1 é uma metáfora e o exemplo 2 é uma comparação.
Exemplos de metáfora.
Ele é um anjo.
Ela uma flor.
Exemplos de comparação.
A chuva cai como lágrimas.
A mocidade é como uma flor.
Metáfora: sem o conectivo comparativo.
Comparação: com o conectivo (como, tal como, assim como)
A metonímia consiste em empregar um termo no lugar de outro, havendo entre ambos estreita afinidade ou relação de sentido. Observe os exemplos abaixo:
1 - Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis. (= Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis.)

2 - Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo. (= As lâmpadas iluminam o mundo.)

3 - Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da cruz. (= Não te afastes da religião.)

4 - Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso havana. (= Fumei um saboroso charuto.)

5 - Efeito pela causa: Sócrates bebeu a  morte. (= Sócrates tomou veneno.)

6 - Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu trabalho. (= Moro no campo e como o alimento que produzo.)

7 - Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo. (= Bebeu todo o líquido que estava no cálice.)

8 - Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones foram atrás dos jogadores. (= Os repórteres foram atrás dos jogadores.)

9 - Parte pelo todo: Várias pernas passavam apressadamente. (= Várias pessoas passavam apressadamente.)

10 -  Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem nesse mundo. (= Os homens pensam e sofrem nesse mundo.)

11 -  Singular pelo plural: A mulher foi chamada para ir às ruas na luta por seus direitos. (= As mulheres foram chamadas, não apenas uma mulher.)

12 - Marca pelo produto: Minha filha adora danone. (= Minha filha adora o iogurte que é da marca danone.)

13 - Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua. (= Alguns astronautas foram à Lua.)

14 - Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá para teu lado. (= A justiça ficará do teu lado.)
8) PERÍFRASE – ANTONOMÁSIA
A Cidade Maravilhosa recebe muitos turistas durante o carnaval.
O Rei das Selvas está bravo.
A Dama do Suspense escreveu livros ótimos.
O Mestre do Suspense dirigiu grandes clássicos do cinema.
Nos exemplos acima notamos que usamos expressões especiais para falar de alguém ou de algum lugar.
Cidade Maravilhosa: Rio de Janeiro
Rei das Selvas: Leão
A Dama do Suspense: Agatha Christie
O Mestre do Suspense: Alfred Hitchcock
Quando usamos esse recurso estamos empregando a perífrase ou antonomásia.
Perífrase, quando se tratar de lugares ou animais.
Antonomásia, quando forem pessoas
9) CATACRESE
A catacrese é o emprego impróprio de uma palavra ou expressão por esquecimento ou ignorância do seu real sentido.
Sentou-se no braço da poltrona para descansar.
A asa da xícara quebrou-se.
O pé da mesa estava quebrado.
Vou colocar um fio de azeite na sopa.
10) ANTÍTESE
Emprego de termos com sentidos opostos.
Ela se preocupa tanto com o passado que esquece o presente.
A guerra não leva a nada, devemos buscar a paz.
Aquele rapaz não é legal, ele subtraiu dinheiro.
Acho que não fui feliz nos exames.
O intuito dessas orações foi abrandar a mensagem, ou seja, ser mais educado.
No exemplo 1 o verbo “roubar” foi substituído por uma expressão mais leve.
O mesmo ocorre co o exemplo 2 , “reprovado “ também foi substituído por uma expressão mais leve.
12) IRONIA
Que homem lindo! (quando se trata, na verdade, de um homem feio.)
Como você escreve bem, meu vizinho de 5 anos teria feito uma redação melhor!
Que bolsa barata, custou só mil reais!
É o exagero na afirmação.
Já lhe disse isso um milhão de vezes.
Quando o filme começou, voei para casa.
14) PROSOPOPÉIA
Atribuição de qualidades e sentimentos humanos a seres irracionais e inanimados.
A formiga disse para a cigarra: ” Cantou…agora dança!”
15) APÓSTROFE
   Consiste na "invocação" de alguém ou de alguma coisa personificada, de acordo com o objetivo do discurso que pode ser poético, sagrado ou profano. Caracteriza-se pelo chamamento do receptor da mensagem, seja ele imaginário ou não. A introdução da apóstrofe interrompe a linha de pensamento do discurso, destacando-se assim a entidade a que se dirige e a ideia que se pretende pôr em evidência com tal invocação.  Realiza-se por meio do vocativo. Exemplos:
Moça, que fazes aí parada?
"Pai Nosso, que estais no céu..."

"Liberdade, Liberdade,
Abre as asas sobre nós,
Das lutas, na tempestade,
Dá que ouçamos tua voz..." (Osório Duque Estrada)
16) GRADAÇÃO
   Consiste em dispor as ideias por meio de palavras, sinônimas ou não, em ordem crescente ou decrescente. Quando a progressão é ascendente, temos o clímax; quando é descendente, o anticlímax. Observe este exemplo:
Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Joana com seus olhos claros e brincalhões...
O objetivo do narrador é mostrar a expressividade dos olhos de Joana. Para chegar a esse detalhe, ele se refere ao céu, à terra, às pessoas e, finalmente, a Joana e seus olhos. Nota-se que o pensamento foi expresso em ordem decrescente de intensidade. Outros exemplos:
"Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu amor". (Olavo Bilac)
"O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se." (Padre Antônio Vieira)